Gente, semana passada não teve postagem por que rolou um problema em casa e eu não li o texto. D:
Mas hoje tem eeeeeeeeeeeeeeeeee \ô\
Vou ser bem sincera com vocês. Não gosto de remédios. Eles são coloridos, fofos e dá muita vontade de comer. Mas eu não gosto. Só tomo quando um médico passa e explica o porquê. Os meu motivos eram bem simples. Remédio é algo que muda alguma composição química do corpo e eu acho que ficar mudando a composição química por uma dorzinha aleatoriamente não faz bem. Mas, na verdade, eu nunca havia parado para pensar a respeito de como os remédios agem na sociedade. E como são importantes.

Essa semana eu li o capítulo 10 do livro: "O cérebro no séc. XXI: como entender, manipular e desenvolver a mente" do autor Steven Rose.
Esse cara aqui ao lado.
E eu surtei.
Primeiramente, ele fala a respeito de como o ser humano sempre buscou formas de potencializar seu desempenho. Poções mágicas, xaropes, tônicos para memória, inteligência, força, agilidade, fertilidade e até melhorar a parte (cof cof) sexual. E isso é verdade. E piora! Veja bem, centenas de anos atrás, o que as pessoas faziam? As coisas normais que fazemos. Mas a informação está cada dia tão veloz e cada vez a gente quer mais coisas, fazer mais atividades. Está tudo uma loucura! Queremos crescer, ganhar dinheiro, casar, graduar, ler livros bons, talvez pós graduar, ter filhos, netos, viver com a família, viajar, estudar, trabalhar em algo que dê lucro, ter passatempos e fazer tudo isso sem desconectar das redes sociais. Eu imagino que agora, mais que nunca, as pessoas prefiram se medicar do que "perder" um tempo a mais descansando ou levando a vida em um ritmo mais desacelerado. Some isso à uma indústria que está em pleno crescimento tecnológico e de mercado que oferece pilulinhas coloridinhas e substâncias (cada vez com o gosto melhor) que, como se fosse mágica, resolve os problemas. Pelo menos em teoria.
Continuando o capítulo, o autor aborda a questão do Alzheimer. Para quem não sabe, é a doença do esquecimento e acomete mais pessoas de acordo com o avanço da idade. Obviamente, há um campo de pesquisa enorme nessa área. Quero ressaltar dois pontos. Primeiro: Hoje em dia o ser humano está registrando cada pensamento, cada ação. Não só registrando, mas divulgando. A memória é tratada como um bem de altíssimo valor. Se quiser saber como eu estava me sentindo no dia tal de tal mês e ano irei em tal rede social, ou blog, e verei não apenas o meu lado mas também como as pessoas reagiram e viram isso. É incrível. O segundo ponto é: nesse mundo aonde as informações chegam e vão tão rápido, é muito difícil absorver tudo. Mas quando se perde a memória, é como se fosse apagando a sua própria identidade.
Imagina que mágico, eu estava esquecendo a minha vida toda. Tomei uma pílula e... TARÃN! Lembrei!
Mas... esquecer as coisas faz parte da vida. Queremos mesmo lembrar de tudo e ter tanta capacidade cognitiva? Em pessoas com alzheimer, dar uma memória linda e maravilhosa não é combater a doença, mas apenas um sintoma. Como, em pacientes com infecção, tratar a febre. Além do mais, uma pessoa com 80 anos de experiências boas e ruins que tenha a memória reavivada pode não querer lembrar de tantas coisas. Principalmente as ruins e as boas que nunca mais voltam.
O texto também fala de intensificadores cognitivos. Não vamos nos enganar, as pessoas utilizam inúmeros por aí que não vendem em farmácias. Café, por exemplo. Mas, será que isso não atrapalha o organismo? E Isso vai ser verdadeiro? Uma pessoa que estuda a base de café e, um dia, a cafeína do mundo acaba. Ela vai ser a mesma pessoa?
Agora a minha parte favorita. O resto do capítulo fala a respeito de crianças diagnosticadas com ADHD - Distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade.
A criança, comparada à outras da mesma idade, é diagnosticada com ADHD. Não consegue parar quieta, prestar atenção na professora ou na tarefa, não escuta o que os pais falam. Há uma explicação cerebral para algumas crianças se comportarem como se, palavras da minha avó, tivessem com formiga na bunda?
É inegável que o uso da Ritalina por essas crianças deixem os pais e professores mais tranquilos. A criança fica quieta. Com menos vontade de correr e brincar, mas pelo menos presta atenção na aula. Mas é isso que a gente quer das crianças?
Steven Rose fala de um aumento incrível no número de crianças diagnosticadas com ADHD ao longo do tempo, sendo medicadas e a sociedade aplaudindo o bom comportamento recém adquirido. Mas isso é bom? Vivemos em uma sociedade cada vez mais multitarefas. Estou escrevendo no Blog, monitorando minha conta no Facebook, twitter, assistindo televisão e almoçando. Esperando dar o horário de sair para trabalhar. Será que as crianças não estão cada vez mais "desatentas" por que tem aprendido a dar atenção a muitas coisas ao mesmo tempo? E se for algo que estamos ensinando para elas, é hipocrisia fazê-las engolir um remédio para fazer o contrário do que fazemos. Conseguimos ficar cinco horas sentados em uma sala de aula, mas conseguimos entrar na internet e ver apenas uma página por vez? Sem abrir outras janelas? Sem utilizar outros programas do computador? Faça o teste, ligue o computador e desative tudo - até o relógio. Tenta entrar em apenas uma página, ver tudo o que está lá e, somente assim, ir para outra. Será que, ao invés de medicar uma criança, não seria melhor mudar o sistema educacional? Aulas mais dinâmicas, divertidas, interativas. Avaliações diferentes para alunos diferentes. E por que não dar mais espaço para a criança brincar e ser criança. A graça do Calvin - personagem do garoto da tirinha acima - é que ele tem uma imaginação incrível. Por que tirar isso das nossas crianças e trocar por dever de casa, que são muitas vezes mal elaborados?
Ao diagnosticar uma criança com ADHD ou TDAH (transtorno de défict de atenção e hiperatividade) você coloca um rótulo nela e a põe em uma gaveta. Ela é anormal. Esquisita. Que defesa uma criança tem contra uma pessoa de jaleco que estudou anos e diz que ela tem uma doença? Ela precisa de remédio para fazer o que as outras crianças - em teoria - fazem normalmente. A criança vai conseguir lutar contra isso? Ela poderá ser um dia "normal" ou dependerá das drogas para sempre?
A Ritalina com certeza funciona, mas seus efeitos são muito maiores do que apenas ajudar na concentração.
Bem, por hoje é só. Comentem aí o que vocês acham dessas questões todas.