quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Trollagem, polêmica e dúvida: esquizofrenia ou depressão?

Olá pessoas! Hoje eu vou contar uma história para vocês.
Era uma vez, faz muito tempo atrás, um homem teve uma ideia maluca. Resolveu testar a capacidade de diferenciar os "sãos" dos "insanos" entre os psiquiatras. Ligou para uma porção de amigos, 8 no total, e combinou um plano com eles. Cada um, incluindo ele mesmo, iria a um hospital psiquiátrico diferente e relataria ao médico estar escutando uma voz que diz: Tum. Com exceção do nome e ocupação, deveriam ser interamente honestos, sem fingir mais nada. Vocês acham que quantos deles foram diagnosticados malucos? Quantos foram internados? Pense um pouquinho.
A história é verdade. Aconteceu em 1970 e o responsável pela grande trollagem foi David Rosenhan. Esse aqui ao lado. Todos foram diagnosticados como doentes. Todos foram internados e passaram de dois dias a cerca de um mês. Diagnóstico? Esquizofrenia. Foi uma  loucura, na época. Um campo médico interinho e, de repente, alguém prova que não é tão certo assim. Que mandou um monte de gente sã com um sintoma nunca reportado antes e todas foram internadas.
Li essa história no capítulo 3 do livro "Mente e Cérebro", a Lauren Slater - essa moça bonita ao lado. Na época foi um absurdo! Houve uma repercussão muito grande, tanto que as leis sobre a área ficaram mais rígidas por causa disso. Argumentaram que não era justo ninguém saber do experimento, que estavam despreparados, que foi contada uma mentira... Um hospital desafiou Rosenhan, dizendo para mandar quantos pseudo-pacientes quisesse nos próximos 3 meses e ele concordou. Ao final do prazo, haviam sido encontrados 41. Rosenhan não mandou ninguém. Claro que haviam muitos defensores da psiquiatria. Um deles, Lauren conversa e cita-o no texto. Seu nome é Robert Spitzer e ele revisou o manual de diagnósticos e resolveu as ambiguidades que abriam brechas para pessoas como Rosenhan pudessem ser internados. Durante a conversa, Spitzer afirma para Lauren que os resultados do teste não se repetiriam. Todos os pacientes seriam classificados como "pendentes". É aí que ela resolve tentar.
Bem, ela foi no mesmo número de médicos que Rosenham foi, com a mesma queixa. Ouvindo "tum". 9 vezes. E na maioria recebeu o diagnóstico "depressão psicótica", embora ninguém tenha feito testes com ela. Porém recebeu muitas pílulas. Muitos remédios sem sequer explicarem o que aquilo faria no organismo dela. Nenhum "pendente".
Eu fiquei pensando em algumas coisas enquanto lia o texto. Primeiramente, não havia precedentes - ninguém jamais reclamou antes de ouvir "tum". Por que os médicos não disseram que não sabiam? Por que eles assumiram que os pseudo-pacientes eram doentes? Será que eles acharam que estavam na frente de um distúrbio novo, ou estavam confiantes demais no seu próprio conhecimento e na sua área de atuação?
Em segundo lugar, por que a mudança de diagnóstico? Com Rosenhan foi esquizofrenia, com Lauren foi depressão. Será que é moda? É uma doença que está sendo muito falada e, por isso, fica mais facil o psiquiatra se lembrar, não sei.
Terceiro, pra que tanto remédio? Não podem encontrar outras soluções não químicas para resolver os problemas? O campo da psiquiatria envolve apenas remédios?
O lado bom é que o tratamento foi mais humanizado. Os doentes eram tratados de forma bem pior, segundo a própria experiência de Lauren. Mas a gente pode confiar na psiquiatria? Não é subjetivo demais para confiar? Ou justamente por ser subjetivo que podemos confiar?
Bem, Spitzer ficou decepcionado. Eu também ficaria se algo que eu acredito se mostrasse tão subjetivo. A gente acha que a psiquiatria se difere da psicologia justamente por utilizar remédios, quimica, biologia... Mas, no final, é tudo praticado por seres humanos em seres humanos. Se torna subjetivo só por esse fato. Acho que ainda vamos ver muitas mudanças nesse ramo, que é bem recente.
E então, pessoal, o que vocês acham? Dá pra confiar? Por que a mudança de diagnóstico? Por que nenhum "pendente" foi dado?  Comentem aí! \ô/



Se você achou este blog e está deprimido, procure ajuda! Não fique sozinho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário